Monday, April 27, 2015

Uma pausa

Ao contrário de muitas outras grávidas, eu comecei a minha licença maternidade bem antes da minha data de parto. Por inúmeras razões, entre elas, um acidente que me obrigou a ser transferida para diferentes departamentos, gerando ainda mais ansiedade nessa mãe de primeira viagem.

No começo me senti super culpada em relação a isso, devo confessar. Mas depois entendi que precisava desse tempo para descansar, fortalecer minha relação com o meu companheiro e me conectar comigo mesma.

Foram dois meses (incluindo férias) dedicados a isso - muito namoro, comida caseira, leitura, sonecas à tarde, TV, passeios no parque com amigas e reflexão sobre minha caminhada até aqui. Para quem trabalha desde os 14 anos sem parar, essa pausa era necessária. Eu também não tenho dúvidas que tive sorte de poder ter esse momento.

Uma pausa é importante. Poder ficar em silêncio. Poder ficar um dia todo sem falar, sem atender telefone, sem responder emails... Só ouvindo a natureza e sua voz interior. Que privilégio!

Foram dias me enchendo de mimos, de chocolatinhos, de meditação e amor. Porque eu sei que quando o pequeno chegar, será um momento de total doação e conexão. E a gente só pode dar aquilo que tem.  Cada vez mais acredito que onde há uma pessoa feliz, há relacionamentos felizes. E para isso, uma pausa se faz necessária.

Sejamos felizes, sem culpa!





Friday, April 17, 2015

É um menino

Hoje estava eu na fila do supermercado quando a menina que trabalhava no caixa elogiou minha barriga (imensa, diga-se de passagem) e perguntou o que eu estava esperando. Eu respondi: um menino.

Ela abriu um sorriso enorme e disse que estava grávida também, de uma menina. Mas que queria, na verdade, um menino. Começou a falar da sua preferência, de como ter meninos era muito melhor, que eles são mais fofos e apegados à mãe.

Por um minuto eu senti um pouco de pena daquele bebê. Mas eu sei que a futura mamãe não falou por mal.



Na verdade, ela pode, sem saber, ser uma vítima de um dos muitos fantasmas que existe no mundo da maternidade: o Gender Disappointment, a Decepção com Gênero (não sei como se traduz para o português). É quando você quer muito uma menina e vem um menino, ou vice-versa. Esse é um assunto que pega fogo nos fóruns de Internet, mas que tem origens muito profundas para serem tratadas com superficialidade por críticas anônimas e alheias.

A origem pode vir desde uma preferência da mãe ou pai, desejo de agradar o pai/companheiro, como questões relacionadas à infância, abuso sexual, bullying e muitos outros. Na maioria das vezes a mãe morre de culpa: de ser julgada por ter esse sentimento, por rejeitar o bebê, por não controlar os seus sentimentos e por ai vai...

Eu sempre achei que teria uma menina. Sempre quis uma menina. Já tinha nome e um monte de expectativas para criar a minha pequena guerreira. Tal foi a minha surpresa quando descobri que era um menino. A princípio encarei com uma passagem só de ida para o Japão - uma aventura onde teria que aprender uma nova cultura e idioma. Nunca me vi ou me imaginei criando um menino. Passado o susto, hoje sei que vou curtir de montão e estou super empolgada.

E foi assim que aprendi a minha primeira lição, com 20 semanas da gravidez: Aceitação  - existem coisas que você não pode mudar e nem controlar. Essa é apenas uma delas.


Tuesday, April 14, 2015

Say yes to the dress!

Desde que engravidei eu me transformei em tudo aquilo que eu temia: como doces e milkshake de chocolate (com leite de vaca!), só leio e falo sobre gravidez, amamentação e maternidade, enfim... Chata pra c***.

Para completar meu paraíso zodiacal com a maternidade, também parei de ler sobre Antropologia, Sustentabilidade, Comunicação e Escravidão Moderna e agora eu assisto: Say yes to the dress!

O programa de TV que passa aqui no canal TLC é um daqueles reality shows tipo Bridezillas, com final feliz: o grande drama, desafio e ápice do programa é achar um vestido de noiva ideal... Sim!

Confissões à parte, eu explico: é uma alienação consciente. Não me acrescenta nada, mas também não me tira coisa nenhuma. Não me faz refletir sobre a crueldade contra os animais, nem o tráfico de pessoas e crianças pelo mundo, sobre a fome e a miséria... Não me faz questionar o porquê de estar trazendo uma criança para este mundo tão louco.

Com a minha nova droga, eu mergulho num universo encantado, onde todo mundo chora no final de felicidade, usando um vestido longo, lindo, caríssimo, comprado numa loja chiquérrima em Nova Iorque.

Eu espero que com um recém-nascido aqui não tenha tempo para assistir mais o programa, será um tratamento de choque, um retorno à realidade, uma desintoxicação necessária.

Eu espero.


Fonte imagem: Charile Powell daqui ó

Como ir ao parque

Confesso que quando fiquei grávida, apesar de ter muitas amigas mães, grávidas e de ter muita ajuda, eu me senti sozinha. Senti falta de família e dos amigos que me faziam rir e me sentir segura. Encontrei conforto na comunidade virtual do Baby Centre. Sim, elas viraram parte da minha vida e do meu ciclo de amizade. No começo tentei participar das comunidades brasileiras, americanas e inglesas. Mas como o sistema de saúde é diferente, assim como alguns abismos culturais e muito barraco virtual, acabei ficando mesmo só na comunidade inglesa.

O que temos em comum é que todas têm seus bebês previstos para Maio. Apenas isso. No mais, usam a comunidade casais lésbicos, mães de primeira viagem, outras esperando o quinto bebê, algumas adolescentes, outras com mais de 40 anos, profissionais com casas próprias, outras que vivem em hostel ou no sistema de benefícios.

A cada nova fase, estávamos todas lá: dividindo conquistas, medos, risos, dúvidas e aflições. Nos meus primeiros seis meses eu vi as mães que se descobriram grávidas de gêmeos, acompanhei todos os abortos espontâneos com um aperto no coração. Vi também mães descobrindo as chances de ter filhos com Síndrome de Down, outras que descobriram que o filho, após o nascimento, teria que ir direto para UTI porque o coraçãozinho não se formaria inteiro. Mães que tiveram que lidar com Gender Disappointment, isto é, queriam muito um menino e estavam esperando uma menina ou vice-versa. Elas viraram minhas amigas virtuais. Eu li em agum lugar que frequentar esses grupos na internet funciona como ir ao parque de manhã: você as encontra diariamente, conversa e se sente um pouco mais segura.

Nesse universo online eu vi culpa, alguma tristeza, pequenas conquistas, grandes alegrias e muita perseverança.

Enfim, fui conhecendo um pouco do que é ser mãe.


As crianças francesas não jogam comida no chão

Eu li em algum lugar que era melhor ler livros sobre Parenting – como educar uma criança – do que sobre Gravidez. Então nas minhas andanças pelos sebos daqui achei o livro "As crianças francesas não jogam comida no chão", da jornalista americana Pamela Druckerman.

Ela compara a educação Francesa com a Anglo Americana num estudo super interessante sobre as diferenças culturais. Você começa o livro se perguntando como elas educam crianças tão comportadas e calmas.

Será que meu pequeno vai gostar de comer brócolis ou se comportar quando estiver tomando café com as minhas amigas? 

E você termina o livro se fazendo a mesma pergunta, simplesmente porque você não sabe ainda...

Mas é um livro gostoso, que fala desde as noites sem domir até ao deselvimento do paladar da criança. Por exemplo, criancas francesas sabem a diferença entre um Roquefort, Brie ou Gruyère.

Tipo, eu não sei a diferença! Tudo porque as mães ensinam as crianças desde cedo a reconhecer e distinguir os diferentes sabores disponíveis. O livro aborda também a alfabetização de crianças bilíngues, entre outros temas que envolvem criar uma criança numa cultura diferente. Enfim, para as mamães brasileiras em Londres ou em outros países, super recomendo. E para as mamães que estão no Brasil também, por que não?! Afinal quem não gosta de crianças comportadas que não jogam comida no chão?

O carrinho da Sarah Jessica Parker

Aqui se usa muito transporte público. Então você precisa ter um carrinho para carregar o seu bebê. Eles chamam de Travel System porque tem o assento de colocar no carro – obrigatório para sair da maternidade (se você usar carro) – o carrycot que é tipo um bercinho e o pushchair que é onde você coloca o bebê/criança sentadinho.

Eu demorei QUATRO meses para entender isso...

O Travel System mais famoso aqui é o Bugabbo – apesar de funcional, é também um símbolo de status entre a classe média londrina. O system custa por volta de £1000. Isto é, uma fortuna! Sabe quando você tem um carro, ou quer muito um sapato de marca, tipo Louboutin? Então... É assim com o Bugaboo. Mas tem também o iCandy, o Stokke e o UPPAbaby - esse último usado pela SJP (sim, eu li isso como referência de qualidade!). Comparando com sapatos, um Manolo Blahnik dos guarda-roupas!

Além de estilo, design e status, eles são bons, claro! São caríssimos porque são seguros, leves e portáteis. Depois de meses de pesquisa, decidimos por um Mamas & Papas. Tipo... Um Arezzo (ou Via Uno?) do seu guarda-roupa.