Monday, September 9, 2013

Ayla - a princesa de Uganda

Eu sempre me referi a Uganda como sendo o pior lugar do mundo para nascer, por conta dos dados da pobreza do país. Sempre vinha a minha cabeça aquela imagem de crianças esfomeadas no deserto... Isso até conhecer Ayla, a princesa de Uganda.

De uma família rica e tradicional, sua geração foi a última a desfrutar dos privilégios financeiros. Nascida em Uganda, mas criada num colégio interno na Holanda, suas maneiras e disciplina me lembravam uma pessoa da nobreza (quero dizer, dos filmes de nobreza que eu assisti, porque nobre, nobre que eu conheça… Só na TV :)). 

Sua história tinha tudo para ser um folhetim da Sabrina - desde os três anos num colégio interno, quando o pai ficou doente, nomeou um "guardião" para ela e a irmã, no qual deveria cuidar dos bens e da educação das meninas. Nem preciso dizer que o guardião gastou o dinheiro com mulheres e bebidas... Deixando as meninas a ver navios.

Conheci Ayla no meu emprego. Aquele mesmo que me paga mal, me irrita e me faz questionar todos os dias a minha permanência aqui. Mas é nesse trabalho que conheci Ayla e tantas outras pessoas incríveis. Ayla calhou de ser meu segundo anjo - assim chamo as pessoas que entram na minha vida para dar um significado as coisas. O meu primeiro anjo foi Ana Paula, em Londrina. Ela abriu portas e me ajudou quando eu estava no escuro. E sua ajuda não foi só financeira, mas espiritual. Isso tudo em 1997/1998.

Ayla me abriu os olhos para algumas coisas. Nossas conversas me fizeram questionar certezas e a ultrapassar minhas próprias convenções. Eu poderia também chamá-la de Ayla - a guerreira de Uganda.  Mas isso pouco importa - princesa e guerreira, Ayla 
é como todas nós - uma mulher em busca de seus sonhos e que, como nos romances,  merece ter um final feliz.