Monday, October 19, 2015

A neblina das primeiras semanas

Fiquei muito tempo sem escrever. Os motivos foram vários: falta de tempo, de vontade, mas não de inspiração. A mente estava à mil, mas o corpo...Ah o corpo precisava de repouso, descanso... Enfim, tudo o que você não tem nos primeiros meses depois do nascimento do bebê. Eles chamam de puerpério o período logo após o parto. Quando os hormônios dão uma baixa, você está se recuperando do parto e ainda tem um pequeno que chora dia e noite pedindo cuidados.

Amigos, é punk!



Ainda durante a gravidez eu li o maravilhoso livro da Laura Gutman - A maternidade e o encontro com a própria sombra -  onde ela dedica um capítulo para falar sobre a mulher puérpera. Selecionei algumas partes:

"Nas sociedades em que as mulheres se encarregavam comunitariamente da criação das crianças, enquanto os homens se ocupavam exclusivamente da procura de alimentos, o puerpério (ou o pós-parto) funcionava como um tempo de repouso e de atenção exclusiva ao recém-nascido. 

Nossa realidade social é outra. Vivemos em famílias nucleares, apartamentos pequenos, às vezes afastados de nossas famílias primárias em cidades nas quais não é tão fácil encontrar algo semelhante a uma comunidade de mulheres que aliviam as tarefas domésticas e constroem uma rede invisível de apoio. Todas as puérperas precisam dessa rede para não desmoronar diante das feridas físicas e emocionais deixadas pelo parto. Além do mais quarenta dias é muito pouco para nos recuperarmos dentro do nosso esquema social, porque ninguém defende as necessidades impostergáveis da díade mãe-bebê, não há uma comunidade feminina que cuide de nós e a maioria das mulheres são obrigadas a voltar precocemente ao trabalho."

Recomendo a leitura do livro, mas mais que isso, recomendo um carinho especial a todas as mulheres que acabaram de ter um filho.

O que essa mãe precisa é de apoio, carinho e compreensão. Ela PRECISA de ajuda. Eu precisei. Como expatriada, nossa situação é mil vezes mais delicada. Mas tive ajuda, tive família, um parceiro incrível, tive amigos e anjinhos que vieram me acudir. E mesmo assim, eu lembro da minha terceira semana que eu tive um medo da solidão, de não conseguir, um medo fracassar que comecei a chorar desconsolada. Chorei por horas. Foi uma dor no peito, algo que não sei colocar em palavras. Mas passou. Porque graças a Deus passa. É como uma neblina, mas passa. E logo logo o sol volta a brilhar,  cheio de energia e cores, como um dia de verão na praia :).


Dedico esse texto a minha irmã Kathy, que teve seu primeiro filho e me deu a chance de me tornar tia. <3




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