Saturday, June 22, 2013

Você não tem olho azul, seu feio!

Semana passada eu tive a melhor aula ever sobre Raça, Etnias e Nacionalismo. É impressionante perceber como raça é uma construção puramente social, propagada pela visão Western de superioridade.

Triste perceber como alguns padrões, como o de beleza, continuam a perpetuar essa visão ocidental de superioridade. Apesar desse ser um assunto riquíssimo, vou me ater ao vídeo que foi apresentado na aula- uma classe dividida. Antigo, mas super atual:




E aqui tenho dois pontos a serem mencionados:

1- Como as crianças são frágeis. Dizer que elas são melhores ou piores, de acordo com a cor de seus olhos, mudou completamente a relação em classe. Os até então melhores amigos se tornaram inimigos em questão de minutos. Tudo baseado num critério estético socialmente embutido: as crianças de olhos azuis são melhores (ou vice-versa).

2- Como nossas palavras são poderosas e podem afetar uma criança pelo o resto da sua vida. O próprio desempenho em classe foi influenciado diretamente pela sensação de superioridade e merecimento. Os olhos azuis são melhores (ou vice-versa).

Por isso, cada dia mais acredito na força das palavras. Acho que deveríamos criar uma campanha do tipo, você já fez um elogio hojeO que você acha? ;)







Sunday, June 16, 2013

As mães nigerianas

Essa semana vi um menino sendo preso na minha frente, na verdade, em frente ao lugar onde trabalho. Ao que parecia, o menino estava vendendo drogas no ponto de ônibus para outros estudantes. Ele também estava de uniforme de escola e foi abordado por dois policiais à paisana.

Aqui a coisa funciona mais ou menos do mesmo jeito: os mais velhos e experientes usam meninos mais jovens para distribuir "o material". Eu, da janela do meu trabalho, fiquei assistindo o episódio. Na verdade,o garoto estava suando e parecia muito, muito nervoso. Vendo a reação do menino lá do meu trabalho, chegamos à seguinte conclusão: ele não estava com medo da polícia, ele estava com medo da mãe dele. Explico: medo da mãe nigeriana.

Só quem tem uma, ou conhece alguém que tenha, sabe do que eu estou falando. Um dos meus amigos disse que se algo assim acontecesse com ele, meodeos, melhor não voltar mais pra casa. Ele seria esfolado vivo. Já presenciei a mãe dele no trabalho, checando quanto tinha sido o seu salário e qual seria a parte dela. Ele tem mania de arrumação e é categórico em dizer que herdou isso da mãe. Ai dele se a casa não estiver arrumada. Outra amiga querida, briguenta e sem papas na língua, é outra pessoa na presença da mãe. Seu vocabulário é cheio de sim, claro, obrigada. Quando eu questionei sobre essa reação tão "polite", todos eles olham com a mesma expressão: Brov, u dunno what I am talkin about...

Bom, não sei mesmo. Mas já atendi muitas mães nigerianas e a grande maioria recorre a empréstimos para ajudar a prole ou alguém da família. Já testemunhei casos de mulheres que trabalhavam em dois, três empregos para poder mandar dinheiro para Nigéria, ou ajudar na educação dos filhos aqui  (em Londres). Ela são muito trabalhoras e guerreiras. E eu sempre tive muita admiração por isso.

Eu imagino que mais complicado que uma mãe, só mesmo uma sogra nigeriana. Mas enfim, esse já é assunto para outro post. ;)



Ah...A imagem é de Tayo Fatunla. E eu tirei desse post onde tem vários outros cartunistas com trabalhos muito legais. Vai lá!